Um pouco mais sobre as FARC
Os movimentos de esquerda da América Latina estão cometendo um erro terrível com o apoio reverencial que dispensam às FARC.
Disse antes e volto a repetir que as FARC já não têm qualquer traço socialista e muito menos revolucionário. Elas hoje empenham toda sua energia e força, que não é pouca, ao narcotráfico e seqüestro de gente comum do povo, inclusive de trabalhadores e pequenos comerciantes. Qualquer membro, repito, qualquer membro das FARC julgado segundo as leis de qualquer país, notadamente no Brasil, seria condenado no mínimo por formação de quadrilha, associação para o tráfico, narcotráfico, latrocínio, extorsão mediante seqüestro, contrabando... Atividades consideradas criminosas, banditismo puro e descarado. É claro que há também outros grupos terroristas operando em milhares de quilômetros da fronteira norte do Brasil, como os parapoliciais e paramilitares.
Também é verdade que as intervenções militares desastrosas do governo dos Estados Unidos podem facilmente ser tipificadas como crimes de guerra, e que o governo de Israel se tornou tão ou mais nazista do que o próprio Adolf Hitler – o governo de Israel até abriu seu próprio complexo Auschwitz-Birkenau, só que desta vez na Faixa de Gaza e na Cisjordânia e com a conivência e subsídio financeiro e tecnológico do governo dos Estados Unidos.
A ação do governo da Colômbia deve ser investigada e severamente repreendida, como também merece ser esclarecida a suspeita de conivência dos governos do Equador e da Venezuela com a ação dos narcoterroristas das FARC. Segundo o Código Penal Brasileiro quem apóia, dá abrigo ou fuga, oculta ou se associa com bandido é igualmente bandido e responderá pela cumplicidade.
Pense bem, meu caro amigo. A insanidade dos que, sob qualquer pretexto, chafurdam em sangue inocente não pode se tornar pretexto para apoiar o banditismo terrorista das FARC. Consulte qualquer trabalhador honesto da América Latina, que luta com sacrifício para cuidar da família e criar os filhos em paz, e garanto a você que ele responderá sem pestanejar que prefere o caminho da democracia como a que o Brasil tem hoje. Exceto os bandidos internacionais e os tolos, não tem ninguém interessado em revolução ou conflito armado na América Latina ou em qualquer lugar.
O sonho de um mundo livre e democrático não acabou nem acabará jamais, mas é preciso reconhecer que alguns heróis da década de 1950/60 se perderam no caminho. Alguns se inebriaram de poder e tornaram-se déspotas, algozes de seu próprio povo. E há aqueles, entre os quais incluo as FARC, que descambaram para o crime organizado, narcotráfico e terrorismo.
Passa da hora de ter e demonstrar algum juízo.
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 18h52
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