Quem nunca caminhou pelo Cerrado desconhece o que é beleza essencial. As paisagens são incríveis, impossíveis de descrever mesmo com o emprego de todos os recursos da escrita. As árvores e arbustos retorcidos e enganosamente ressequidos exalam aromas que só por aqui se pode encontrar. Mesmo com as poucas chuvas do outono-inverno, a profusão de cores de espécies como o ipê (rosa, amarelo, branco e roxo), contrastando com os incontáveis tons de verde, lilás, vermelho e o cinza-palha-pronfundo, tudo emoldurado pelo azul infinito e puríssimo do firmamento e pelos pedregulhos da terra esbranquiçada, cria um cenário surrealista.
Tem um verso, cujo autor eu desconheço, que comparando o Cerrado com outros biomas diz um pouco mais ou menos assim: “...não tens a beleza arrogante das araucárias. Pelo contrário, seus galhos retorcidos erguem-se aos céus como mãos clementes, como que suplicassem a misericórdia do Senhor.”
Ponho exemplo com esse fragmento que capturei perto de Goiás Velho, terra natal da Cora Coralina.
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 22h15
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