Sóstenes Antônio de Arruda
   
 
   



BRASIL, Homem, de 36 a 45 anos, sostenes.arruda@uol.com.br
 

  Histórico
 05/04/2009 a 11/04/2009
 28/12/2008 a 03/01/2009
 16/11/2008 a 22/11/2008
 19/10/2008 a 25/10/2008
 07/09/2008 a 13/09/2008

Outros sites
 Instituto Jordão de Arruda
 Carta Maior
 Anistia Internacional




 

 
 

Putz! Nasci de novo.

Cheguei de viagem agora e, como sempre faço, despejei na mesa da sala a agenda, telefone, alguns maços de cigarros, chaves... Mas hoje, antes que fosse largando roupa no caminho ao chuveiro, precisei me sentar com calma e escrever um pouco, algo como um desabafo... Estresse é fogo.

 

Pouco mais de 8 da manhã apanhei a Adriana e o João e caímos na estrada. Nosso compromisso em Brasília só começava depois das onze e por isso não havia pressa, o tempo nos favorecia. Manhã fresca e clara, pista tranqüila, bem conservada e bem sinalizada, um convite tentador para aproveitar as condições ideais e pisar mais fundo, mas eu soube de uma operação da polícia rodoviária para o período de férias e dos radares que já estão funcionando desde a semana passada, e por isso mantive a velocidade no limite permitido, 110 por hora.

 

Paramos no Jerivá para um café com leite e pão de queijo – o nosso é muito melhor que o mineiro. Alimentados e com tempo de sobra, seguimos viagem repassando alguns detalhes para as tarefas que nos aguardavam. Um pouco antes de Alexânia, no final de uma curva longa e suave, um carro que seguia no mesmo sentido deixou a pista e entrou devagar no gramado que nos separava da pista contrária, aguardando para fazer o retorno irregular. Como é do meu costume, consultei os retrovisores percebi que ninguém me seguia de perto, e mesmo havendo uma boa distância daquele incauto condutor, ocupei o meio das duas faixas para me afastar um pouco mais.

 

Só quando estava a pouco mais de 10 metros do tal carro vi estarrecido que havia uma longa viga de madeira amarrada no teto daquele carro e boa parte dela atravessada sobre a pista, mais ou menos na altura do meu pára-brisa. Aquilo ia pegar em cheio na minha cara ou pescoço a 100 quilômetros por hora. Golpeei o volante tentando tirar o máximo possível para a direita, mas meu carro saiu um pouco de traseira e um impacto violento fez com que a traseira fosse arremessada para o lado oposto. Tentei corrigir, mas o carro fez um giro de 180 graus e entrou de ré sobre o canteiro que separa as pistas.

 

O carro parou. A Adriana que seguia comigo no banco da frente estava pálida, ofegante e trêmula, mas bem. O João, que estava deitado no banco de trás, levantou a cabeça e espantado perguntou: “o quê que é isso?” Foi tão rápido que nem ele nem a Adriana haviam entendido o que havia ocorrido. O motor ainda estava funcionando, me dei conta de que também eu estava bem. Senti um alívio indescritível, uma sensação maravilhosa, mas minha cabeça ainda rodava e eu estava confuso. Quando tentei explicar aos meus abalados companheiros o que tinha acontecido fiquei engasgado e fui tomado por uma fúria e o desejo incontrolável de dizer àquele imbecil o que me ocorria sobre a mãe dele e passei a persegui-lo. Seguia disparado atrás do asno quando recobrei a razão. O que eu faria quando o alcançasse? Parei o carro no acostamento, respirei por um momento e no meu íntimo dava graças quando a Adriana perguntou novamente o que tinha acontecido e se nosso caro estava em condições de seguir viagem. Desci do carro e quando examinei em volta senti uma pontada no estômago. A ponta daquela viga atingiu minha lateral fazendo um vinco profundo de aproximadamente uns 3 centímetros de largura em toda a extensão da porta de trás do meu lado. Por um triz escapei de ser degolado. E por um triz escapamos de capotar o carro. Lembrei do compromisso em Brasília.

 

Entrei novamente no carro e seguimos viagem. Em Brasília tivemos um dia produtivo, cumprimos bem nossa missão, mas foi um dia esquisito, com sabores de susto, perigos, realizações, tudo em doses cavalares. Quando as circunstâncias do trabalho permitiam falávamos sobre o acidente, ríamos aliviados e especulávamos sobre sorte, anjos da guarda e, claro, minhas inigualáveis virtudes automobilísticas. No caminho de volta passei em Anápolis, beijei minhas três e contei-lhes o episódio, sem maiores detalhes. Retomamos a estrada, chegamos a Goiânia assustados, cansados, mas bem.

 

Finalmente em casa tive vontade de escrever um pouco, aliviar a alma contando uma parte de tudo o que aconteceu na aventura de hoje. Por pouco escapei da morte porque meu Deus, como em incontáveis vezes, honrou a promessa que fez a meus pais. Dou graças, dou testemunho e rogo que também à minha descendência e aos que me são caros se estenda Sua Benção, por Jesus, hoje e sempre. Amém.

 

Bem, agora posso tomar o meu banho e dormir um pouco.



Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 23h06
[] [envie esta mensagem
]


 

 
[ ver mensagens anteriores ]