Sóstenes Antônio de Arruda
   
 
   



BRASIL, Homem, de 36 a 45 anos, sostenes.arruda@uol.com.br
 

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O preço do avanço

Em Goiás você ainda pode esbarrar com emas de quase 1,70 de altura, como esta da foto. Há também criaturas incríveis como jaguatiricas, onças pretas, pardas e pintadas, quatis, tamanduás, carcarás, jacarés, sucuris e uma infinidade de criaturas capazes de deixar qualquer um espantado. Mas eles estão desaparecendo rápido por causa da agricultura e da pecuária.

Esta teve sorte, nasceu no coração da Unidade Agro Ecológica Santa Branca, exemplo bem sucedido de que é possível produzir em larga escala sem o uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos, gerar riqueza-renda-empregos-impostos, promover cultura e educação, promover o bem estar das pessoas e preservar a vida animal e vegetal, manter a saúde da terra, do sub-solo e da atmosfera, das águas e veredas e até dos elementos sutís às vezes imperceptíveis que também compõem a vida no planeta. Em outras palavras, é uma experiência que aplica na prática o desenvolvimento sustentável.

E quem tiver a oportunidade de trocar uma palavrinha com o Jeremias Lunardelli, visionário que criou e mantém o lugar, verá que ainda é possível fazer desse mundo um lugar muito melhor, mas que não há um minuto a perder.



Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 21h39
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Cântico de Andradina, da Cora Coralina

Terra moça. Mata virgem.
Reserva florestal.
O homem investe a selva. Foice, machado, fogo.
Estrondo das figueiras centenárias. Clamor dos troncos decepados.
Galhada que se verga e quebra ressoando na acústica vegetal.
E o grito triunfal dos machadeiros!...

Tocha olímpica das queimadas. Fogo ancestral... E na cinza das coivaras, os marcos de uma cidade.

Posse. Vinculação.
Desbravamento. Lastro. Variante. Descrença dos vencidos. Deserção.
E ao cântigo de fé dos vencedores, surge uma cidade nova na confluência de dois rios.
- O sonho euclideano.

Loteação.
Rumos. Picadas. Marcos. Balizas. Terras de venda. Terras de renda.
Dadas. De graça. Vendidas a prestação. Pastos. Mangueirões. Capim-colonião.

Touros e vacadas.
Potrancas e garanhões. Procriação. Nas mangueiras ninguém se escandalizade ver o macho na sua genes de reprodutor fecundando as fêmeas.

Aboio do ponteiro.
Mugido das boiadas que vão pelas estradas no passo das culatras. Relincho das montadas. Galope do vaqueiro. Retardo da arribada.

Cinza das queimadas. Carvão das caieiras.
Pam-pam dos machados nas perobeiras das derrubadas... e o grito triunfal dos machadeiros!...

Milagre bandeirante.
Gente de todos os quadrantes. Sonho milionário. Fazenda Guanabara. Sonho proletário - dono de lote - rancho de barrote retocado de coqueiro.

Gente de fora vem subindo a variante com penca de filhos.
"Riqueza de pobre é filho" - diz o ditado. Gente da terra.

Propaganda.
Fazendeiro.
Cano de bota. Chapéu de cortiça. Dono de lote, calça de mescla, sapatão.
Galpão de barrote coberto de tabuinha.

Peão.
Cama-de-vara. Barriga-verde.
Pau-de-arara. Machadeiro. Picadeiro. Empreiteiro. Mascate. Picareta. Corretores. Banqueiros. Agenciadores. Aventureiros. Sobras de outros cantos. Fracassados.

Recuperação.
Recompensa.
Lugar de todos. Sol para todos. Terras para quem quiser. Gente da gleba aqui resgata o abandono secular.

Pam-pam... pam-pam!... Machado nas perobeiras. E o grito triunfal dos machadeiros ressoa na acústica vegetal.



Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 20h51
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