Sóstenes Antônio de Arruda
   
 
   



BRASIL, Homem, de 36 a 45 anos, sostenes.arruda@uol.com.br
 

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Uma da Florbela Espanca

Pra tirar da alma a nódoa da bestialidade, uma poesia da Florbela Espanca:

 

Fumo

 

Longe de ti são ermos os caminhos,

Longe de ti não há luar nem rosas,

Longe de ti há noites silenciosas,

Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

 

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos

Perdidos pelas noites invernosas...

Abertos, sonham mãos cariciosas,

Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

 

Os dias são Outonos: choram...choram....

Há crisântemos roxos que descoram...

Há murmúrios dolentes de segredos....

 

Invoco o nosso amor sonho! Estendo os braços!

E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,

Fumo leve que foge entre os meus dedos!...



Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 22h06
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