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BRASIL, Homem, de 36 a 45 anos, sostenes.arruda@uol.com.br
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O mundo está de olho na Amazônia
Reportagem de Juan Arias, do espanhol “El Pais”, de 11 de outubro (http://noticias.uol.com.br/midiaglobal):
Se é verdade que no futuro as guerras serão travadas em busca de água potável, a América Latina e concretamente o Brasil serão áreas sobre as quais pousarão com cobiça os olhos da sede do planeta. Os números são eloqüentes: este país possui 20% da água potável do mundo, o que o situa na maior vazão de água doce existente, com 197.500 metros cúbicos por segundo. Essa água é 40 vezes maior que a de todos os rios dos EUA e 47 vezes superior à do Canadá, países ricos que ainda não entraram na crise da água.
É tal a importância não só da riqueza de água do Brasil como de toda a sua biodiversidade, a maior do planeta, que, diante do medo de que essa riqueza que não é só poesia ecologista, mas pura e crua realidade política, possa continuar se deteriorando, fala-se constantemente, diante da ira dos cidadãos e dos políticos, em "internacionalização" da Amazônia, considerada a grande reserva de oxigênio do planeta.
O problema é se essa internacionalização é fruto de um interesse real na preservação de um dos grandes santuários ambientais do mundo diante do descuido ou da impotência de seus governantes, ou se não é mais uma desculpa para se apoderar do grande tesouro do futuro. Em 2004 se desmatou na Amazônia um território igual ao da Bélgica. Só nos últimos 15 anos foram devastados 28,8 milhões de hectares, a metade de tudo o que foi destruído desde 1500, data da descoberta do Brasil.
Se a selva amazônica foi saqueada, também o foi a mata atlântica, da qual restam somente 5% do território original, com uma biodiversidade proporcionalmente superior à da Amazônia. No pouco que resta da mata atlântica ainda se conservam 51 espécies de mamíferos e 183 espécies de aves, exemplares únicos no mundo. Entre os anfíbios o número é ainda mais espetacular: das 183 espécies catalogadas, 91,8% são consideradas únicas no mundo. Entre as plantas, das 10 mil conhecidas, 50% também são exemplares únicos. Mas a situação, assim como na Amazônia, é alarmante: das 202 espécies de animais em perigo de extinção, 171 são da mata atlântica. O mesmo ocorre entre as aves: das 214 espécies, 40% estão em perigo.
Existem mais de 3 mil empresas cortando árvores sob a conivência até do Ibama, responsável pela defesa da Amazônia. Só em junho passado foram detidos, acusados de corrupção, 47 funcionários da instituição. E depois, a impunidade. Dos R$ 539 milhões de multas aplicadas em 2004, só R$ 63 milhões foram pagos.
O problema é grave. O desmatamento pode fazer o ciclo das chuvas na Amazônia entrar em colapso se a selva perder 30% de sua capacidade vegetal. E já foram destruídos 17%. Nesse caso, o fim da floresta seria irreversível. Tudo isso levaria a uma diminuição drástica do vapor de água gerado pela floresta, e portanto das chuvas, o que elevaria perigosamente a temperatura ambiental, com conseqüências não só para o Brasil e para a América Latina como para todo o mundo.
Em toda essa situação os paradoxos se multiplicam. Um país como o Brasil, que conta com a legislação mais moderna e mais severa do mundo em defesa do meio ambiente, permite que, segundo dados oficiais do Ministério do Meio Ambiente, existam na Amazônia 18 milhões de hectares de selva comprados ilegalmente, um mecanismo perverso que o ex-bispo catalão Pedro Casaldáliga denuncia há mais de 20 anos, com perigo de sua própria vida.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 23h01
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AP
Reportagem da edição de outubro de 2005 da revista Super Interessante (Editora Abril), diz que “para cientistas, o apocalipse já começou”. A reportagem arrola uma série de fatos indicando que existe, inclusive, uma conspiração para esconder isso da população mundial.
Se alguém tem alguma dúvida disso deve pensar um pouco. Quando é que se poderia imaginar o Rio Amazonas secando, como mostrado na foto?
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 22h34
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Uma, do Ferreira Gullar
Digo Sim
Poderia dizer
que a vida é bela, e muito,
e que a revolução caminha com pés de flor
nos campos de meu país,
com pés de borracha
nas grandes cidades brasileiras
e que meu coração
é um sol de esperanças entre pulmões
e nuvens
Poderia dizer que meu povo
é uma festa só na voz
de Clara Nunes
no rodar
das cabrochas no carnaval
da Avenida.
Mas não. O poeta mente.
A vida nós a amassamos em sangue
e samba
enquanto gira inteira a noite
sobre a pátria desigual. A vida
nós a fazemos nossa
alegre e triste, cantando
em meio à fome
e dizendo sim
– em meio à violência e a solidão dizendo
sim –
pelo espanto da beleza
pela flama de Tereza
pelo meu filho perdido
neste vasto continente
por Vianinha ferido
pelo nosso irmão caído
pelo amor e o que ele nega
pelo que dá e que cega
pelo que virá enfim,
não digo que a vida é bela
tampouco me nego a ela:
– e digo sim
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 22h19
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O Aqüífero Guarani
Estados Unidos e Paraguai O que há por trás das bases militares norte-americanas?
 Por Edilson Adão C. Silva* Especial para o UOL
Fomos surpreendidos recentemente com a notícia sobre a possibilidade de instalação de bases norte-americanas em território paraguaio. Essa possível instalação seria um passo posterior a um estreitamento comercial preliminar entre os dois países. O fato geopolítico chama a atenção e nos obriga a algumas considerações.
Primeiramente, é preciso salientar que um acordo comercial entre os dois países americanos implicaria a revisão da presença do Paraguai no Mercosul, pois as regras do bloco são claras nesse sentido -não se permite alianças comerciais em separado-, e o Paraguai teria que optar entre os Estados Unidos e o Mercosul. O custo ao país platino seria alto, pois as exportações paraguaias estão orientadas essencialmente para os parceiros do bloco meridional, particularmente o Brasil.
De outro lado, é sintomático o esforço norte-americano de uma maior presença militar no subcontinente, num momento em que a América do Sul nunca esteve tão à esquerda em toda sua história. Ao contrário: a tradição sul-americana é de ditaduras e regimes de direita. Para citar alguns exemplos do presente momento à esquerda: Chavez, na Venezuela, Lula no Brasil, Basquez, no Uruguai, sem contar os casos de Chile, Equador e ainda a Argentina. A coroação do "esquerdismo" sul-americano viria com a possível vitória de Evo Morales, na Bolívia; o líder cocalero do MAS (Movimento ao Socialismo) desponta como principal nome nas eleições em dezembro de 2005.
Junte-se a esse momento político sul-americano fortes interesses que a hiperpotência tem na região: o gás boliviano, o petróleo venezuelano, sem falar na suposta "cobiça" amazônica, tantas vezes propaladas por geopolíticos militares brasileiros.
Contudo, a justificativa norte-americana para uma suposta intervenção na região reside, basicamente, em dois fatores.
Primeiro, o combate ao narcotráfico colombiano, atividade ilícita, mas que figura entre as mais rentáveis do mundo - segundo estimativa da ONU, próximo a US$ 1 trilhão anuais. A ilicitude desta atividade alimenta o crime organizado internacional e, conseqüentemente, está recheada de episódios violentos. O Segundo ponto de "preocupação" norte-americana, seria uma suposta presença de células terroristas locadas na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, onde a presença da comunidade árabe-muçulmana é, de fato, forte.
Como se vê, tal qual no Iraque ou no Afeganistão, a justificativa para a suposta presença sempre tem um fundo legítimo, afinal de contas existe uma subconsciente simpatia pública contra ditadores, traficantes, terroristas e drogas, e os Estados Unidos estão sempre dispostos "a livrar o mundo destes males".
O que falta informar é que próximo ao território em que os Estados Unidos pretendem se instalar localiza-se o Aqüífero Gurani, o maior reservatório de água doce deste planeta. E todos sabemos o quão preciso será o líqüido para o mundo, nas próximas décadas.
* Edilson Adão C. Silva é professor do Cursinho da Poli, em São Paulo, e autor de "Oriente Médio: a gênese das fronteiras" (editora Zouk).
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 23h00
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Assim postas as questões mais iminentes, posso continuar de vez em quando escrevendo alguma coisa por aqui. Espero.
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 22h04
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Preciso fazer uma correção, ainda que tardia. Num dos post's que escrevi no começo da última Guerra no Iraque, critiquei duramente o conjunto da sociedade norte-americana, colocando numa vala comum governantes e cidadãos. Naquela ocasião acusei o povo daquele país de omissão contra a saga sanguinária empreendida pelo império contra maltrapilhos iraquianos. Contudo, com a tragédia do furacão que devastou o sul dos Estados Unidos percebi mais claramente a situação em que vivem as pessoas comuns daquela nação. Os norte-americanos não passam de fantoches nas mãos de uma elite decadente que tem como exclusivo compromisso de vida a dominação econômica, não importa se as vítimas sejam africanas, asiáticas, latino-americanas ou mesmo norte-americanas.
Fiquei pasmo com as campanhas de caridade realizadas para socorrer as vítimas da Nova Orleans. Fizeram até musiquinha como aquela "USA For Africa", que na década de 1980 se propõe minimizar uma catástrofe humana que sensibilizou o mundo. É incrível, mas para despejar a fúria de seus Exércitos contra uma população miserável no Iraque, os EUA gastam por ano o suficiente para reconstruir várias vezes tudo o que foi destruído pelo furacão Katrina. Em nenhum momento faltou dinheiro para a guerra ilegítima e vergonhosa, mas para reconstruir cidades devastadas pelo desastre natural foi preciso "passar a sacolinha", recolhendo esmolas para auxiliar a população norte-americana vitimada. O chamado "Sonho Americano" é também um verdadeiro pesadelo para os norte-americanos pobres e de Estados menos influentes do Império.
Devo desculpas às pessoas de bem dos Estados Unidos da América.
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 21h50
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Então me perguntaram porquê fiquei tanto tempo sem escrever uma única linha. Acontece que desde o último post o Brasil foi colocado de ponta-cabeça e, de minha parte, muito trabalho tomando todo tempo disponível. E depois, como disse a uma amiga muito querida, às vezes escrever pode comprometer muito e, no final, te prender a uma determinada idéia ou posição - sentimento típico dos covardes. Covardes?!
Bem, mas isso não importa. O importante é que apesar de tudo sobrevivemos à zona petista e à cara de pau dos vigaristas encastelados em Brasília.
Se Deus permitir e o imbecil do Lula não explodir o Brasil antes, as coisas voltam ao normal e a vida continua.
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 21h35
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