Sobre como o mundo está se acostumando a imaginar o Demônio
(Foto Reuters-UOL Últimas Notícias)
Se o cidadão norteamericano desse uma boa olhada em volta ficaria constrangido. Constataria que a política internacional patrocinada pela elite ultra conservadora que se encastelou em seu governo está minando a confiança que o mundo já teve na sinceridade de propósitos da América e na legitimidade de seus interesses. Para milhões de pessoas mundo afora, aliás, o Sonho Americano revelou-se um pesadelo macabro que tornou suas vidas uma rotina de miséria, assassinatos em massa e degradação da condição humana.
Meu Deus! Como as coisas mudaram. Principalmente após a Grande Guerra o mundo rendeu-se ao gênio criativo, a inventividade e principalmente a liberdade que distinguia os Estados Unidos das demais nações. Havia, inclusive, um profundo sentimento de gratidão pelo papel fundamental que os "Rapazes do Tio San" tiveram na derrota do nazi-facismo e dos horrores medonhos caracterizados pelo assassinato de gente inocente em campos de concentração espalhados pela Europa. Mas com o tempo as coisas mudaram e esses sentimentos deram lugar ao medo e desconfiança.
Os excessos cometidos contra o Vietnam - para citar apenas um exemplo das últimas décadas - mostraram que as coisas não eram bem como pareciam. Uma violência desmedida foi despejada à farta contra uma adversário pobre e sem nenhuma importância na ordem das coisas, ainda que isso custasse um preço altíssimo para a população civil. Uma década de guerra incompreensível, ceifando a vida de milhões de pessoas inocentes e deixando um legado de horror e destruição para outros tantos que por sorte escaparam ao holocáusto. Passados mais de trinta anos, já festejada virada do Milênio, quando o mundo olhava para o futuro com uma pontinha de esperança por dias de paz, a nação mais poderosa do mundo em todos os tempos dá aos humanos incrédulos um exemplo assustador de faniquito-afetado e de intolerância psicótica desmensurada. Os Estados Unidos regurgitaram um ódio jamais visto, despejando o poder incrivelmente devastador de seu poderio militar contra outros dois adversários miseráveis e igualmente desimportantes: Afeganistão e Iraque. Ninguém até hoje sabe dizer, exatamente, um único motivo razoável que justificasse mais essas guerras.
Mas desta feita as coisas escaparam ao controle e os "rapazes do Tio San" foram flagrados em orgias sanguinárias. Aqueles que antes eram nossos heróis agora eram mostrados na WEB e nas Tv's do mundo inteiro se deliciando ao inflingir torturas macabras contra pessoas que eles chamam de "homens das cavernas" - será que há alguma dúvida de quem poderia ser o bárbaro?
Esses acontecimentos têm levado as nações do mundo ao desespero. Aquela esperança de que o Século XXI seria lelbrado pelos maravilhosos avanços da ciência, muitos dos quais produzidos pelo genial povo dos Estados Unidos, foi esmagado pela Casa Branca. O sentimento que atormenta as pessoas agora é que os Estados Unidos estão arrastando o mundo para um tempo de intolerância, genocídios, destruição dos desiguais e aniquilação da diversidade cultural.
Ôpa! Mas não foi exatamente isso que desencadeou a Grande Guerra? Não é exatamente por isso que lembramos do nazi-facismo?
Os "Rapazes do Tio San", que antes eram vistos e celebrados como os heróis que libertaram o mundo dos nazistas e seus campos de concentração, agora são tão ou mais temidos que aqueles. A impressão que se tem é que parecem ter tomado gosto pelas características dos monstros que antes combatiam, ttornando-se demônios bestiais enviados aos quatro ventos para semear a destruição e o caos, assassinar pessoas inocentes e inculcar o medo. Crianças, velhos, aleijados, não importa. É diferente das pessoas da América? Só pode ser terrorista e ser membro do Eixo do Mal! E tome bala...
As pessoas de bem na América, aquelas que têm educação e foram bem criadas, precisam compreender que é impossível manter a situação como está.
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 19h57
[]
[envie esta mensagem]
|