Cônsul espanhol na Argentina ataca os índios e diz que europeus fizeram bem ao exterminar nativos
Reportagem de Francesc Relea, correspondente do Jornal El País em Buenos Aires, informa que Pablo Sánchez Terán, 58 anos, cônsul da Espanha na cidade argentina de Córdoba desde agosto passado, desencadeou uma polêmica com as declarações que fez em um ato sobre o 12 de outubro [descoberta da América] nas quais reivindicou a conquista do continente, cujos povos, afirmou, "estariam hoje muito pior sob o predomínio das civilizações indígenas".
O diplomata espanhol salientou que "muito pior estariam, ou estaríamos, sob as civilizações incas, astecas, sioux, apaches ou mapuches, quando é bem conhecida sua divisão em castas e seu caráter imperialista e sanguinário".
Sánchez Terán ratificou essas declarações com o seguinte matiz: "Não me referia só à colonização espanhola, mas também à portuguesa, inglesa e francesa na América, Ásia e África". Segundo o cônsul, essas gestões foram "uma contribuição positiva européia em termos de cultura e por parte da religião cristã".
No ato realizado em Córdoba pelo 512º aniversário da chegada de Cristóvão Colombo à América, Sánchez Terán afirmou que a contribuição de uma língua européia e da religião cristã, ou seja, católica, "é melhor do que se tivéssemos monarquias ou repúblicas indígenas". E acrescentou: "O real e positivo é que Espanha e Portugal criaram uma nova raça, a latino-americana, com um só idioma e um único credo".
As palavras do diplomata tiveram grande repercussão em diversos programas de rádio argentinos, em que debatedores e historiadores se dirigiram em busca de um confronto verbal. O historiador Felipe Pigna recomendou através do rádio ao cônsul em Córdoba que lesse mais e se informasse melhor sobre a história da América Latina.
O iniciador da polêmica preferiu não entrar na discussão, limitando-se a repetir que seu intuito foi apenas enaltecer a contribuição européia, e não desprestigiar as civilizações exterminadas. Embora tenha dado sua visão pessoal dos fatos, ao indicar: "Mais que em genocídio, eu falaria em uma grande catástrofe biológica causada pelas doenças européias. Me atreveria a dizer que a causa biológica foi muito mais importante" no desaparecimento dos povos originais do subcontinente americano.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 09h15
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