 |
| |
| |



|
BRASIL, Homem, de 36 a 45 anos, sostenes.arruda@uol.com.br
|
|
|
 |

|
|
 |
| |
Jungle Man VIII - Uma semana na selva
A impressão inicial que tive de Parauapebas confirmou-se a cada momento daqueles quase dez dias em que fiquei por lá. As pessoas, a seu modo, são amáveis e prestativas, mas há um determinado grau de caos em quase tudo o que vi no lugar. Ainda não sei dizer, ao certo, se se trata de indolência dos locais ou simplesmente uma fase transitória entre os níveis de desenvolvimento social e econômico por que passa a região. Posso dizer, contudo, que as coisas parecem acontecer mais pela providência do que propriamente por sistemas organizados de produção. Também é certo que a pujança do lugar impressiona qualquer observador.
Existe um certo charme de pioneirismo no lugar que afeta qualquer um que se proponha observar e avaliar as possibilidades de empreendimento tanto na cidade quanto em toda a região. Agroindústria, serviços especializados nas áreas de mineração e meio ambiente, por exemplo, movimentam somas expressivas e uma quantidade imensa de pessoas altamente qualificadas - todas de fora. O vaivém de pessoas, bicicletas, motocicletas e ônibus de todos os tamanhos (lotados de trabalhadores), misturados a carros, caminhões e outros veículos de empresas que prestam serviços para a companhia mineradora que explora ferro, ouro e outros minerais na Serra de Carajás é algo que causa vertigem e demonstra a vitalidade econômica do lugar.
A empresa para quem fui prestar meus serviços é um dos empreendimentos locais que tente se adaptar às novas demandas. Ainda tem muito o que caminhar e precisa urgentemente desenvolver um modelo de negócio mais eficiente. Admito o esforço e o empenho dos empreendedores para alcançar um novo patamar de produtividade, mas estão enfrentando alguma dificuldade no fator humano - eles próprios apresentam alguma deficiência. Vou ter que me desdobrar.
É flagrante o contraste entre o conjunto e a Unidade Urbana de Carajás, condomínio fechado de aproximadamente 5 mil habitantes distante 20 quilômetros da cidade e formado majoritariamente por trabalhadores e executivos da tal companhia mineradora que explora Carajás. É uma ilha de sofisticação e tecnologia em meio ao caos a que me referi. Padrão arquitetônico moderno, uma incrível e diversificada infra-estrutura de serviços, aeroporto e uma imensa reserva ecológica, além de técnicos altamente qualificados em áreas tecnológicas talvez só disponíveis nos grandes centros urbanos do país. Uma ilha de excelência encravada no meio da selva.
É preciso obter autorização especial para entrar no local, fortemente guardado por homens armados e monitorado eletrônicamente. Depois de vencer os obstáculos de segurança pude me avistar com o gerente de recursos humanos e com o encarregado da manutenção da Escola mantida pela companhia. Fiquei de fato impressionado com a organização e o esmero que todos dispensam na execução de suas tarefas e na documentação de todos os procedimentos realizados diariamente. Fui também ao Zoológico mantido por eles, onde existem onças pardas, pintadas e pretas, além de jacarés-açu, incontáveis primatas, aves e a majestosa arpia. Passei horas num quiosque onde vedem artezanato, inclusive peças da cerâmica santarém, xicrim e algumas que não identifiquei - a pessoa que tomava conta do lugar não sabia lhufas do que vendia.
Estava cada vez mais entusiasmado com as possibilidades do lugar e ao trabalho que poderia realizar ali, mas era difícil conter a frustração pela dificuldade na obtenção das informações mais detalhadas de que necessitava para embasar meu estudo e fundamentar meu relatório. Nem mesmo na companhia mineradora obtive resultados mais consistentes - só quando retornei a Goiânia consegui completar os dados que precisava. Também foi difícil me acostumar à morosidade com que as coisas acontecem por lá. As pessoas simplesmente não têm nenhuma pressa e agem como se tivessem todo o tempo do mundo.
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 18h44
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |

 |
| |
Sinal de rádio do espaço pode vir de alienígenas
Segundo a Agência Reuters u inexplicado sinal de rádio do espaço poderia ser o contato de uma civilização alienígena, disse a revista New Scientist na quinta-feira. O sinal, que veio de um ponto entre as constelações de Peixes e Áries, foi detectado três vezes por um radiotelescópio em Porto Rico. A New Scientist disse que o sinal poderia ter sido gerado por um fenômeno astronômico previamente desconhecido ou até mesmo ser uma interferência do próprio telescópio.
Mas a misteriosa irradiação entusiasmou astrônomos em todo o mundo. "Se eles puderam vê-lo quatro, cinco ou seis vezes, realmente começa a ficar empolgante", disse Jocelyn Bell Burnell da Universidade de Bath, no oeste da Inglaterra, à revista. O sinal foi transmitido na principal frequência em que o elemento mais comum do universo, o hidrogênio, absorve e emite energia, e na qual os astrônomos dizem ser o meio mais provável de alienígenas poderem avisar sobre sua presença.
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 12h29
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |

 |
| |
Dia cheio, sentimentos densos...
Pô, só agora pude vencer o dia. Trabalho, problemas, estrada... como, aliás, quase todos os dias dessa minha vida atribulada.
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 23h12
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |

 |
| |
A obsessão de Antônio Palocci, o néscio.
A reportagem publicada pela Folha Online hoje, 31 de agosto, intitulada "Crescimento do PIB surpreende e Palocci fala em 'ajuste' nas políticas", da lavra do jornalista Eduardo Cucolo, causa grande alento no Brasil ao informar que o PIB cresceu 4,2% no primeiro semestre, desempenho que só tem rival na impressionante performance da China. Isso é motivo bastante para que o brasileiro não tenha a menor dúvida de que somos uma nação de gente trabalhadora e capaz. Nossa desgraça são os cabeças de bagre que, por força de uma dessas cagadas do destino, conquistam o poder.
É exatamente isso que mostra a reportagem a que me refiro. Nela o jornalista Eduardo Cucolo diz que o crescimento da economia surpreendeu o governo federal e levou o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, a falar num possível ajuste nas políticas macroeconômicas para garantir que a inflação continue sob controle. Em outras palavras, o ministro ameaça com elevação das taxas de juros e lança um véu de medo e apreensão sobre o país - esse cara padece de transtorno obsessivo e precisa de um psiquiátrica com urgência.
Posso estar enganado e o cara não passar de um imbecil, mas alguém precisa dizer a ele que brasileiros estão morrendo de fome, estão desempregados ou sob sério risco de perder o emprego. Os mais afortunados passam por toda sorte de humilhação causada salários aviltantes que simplesmente os privam de coisas básicas como educação, cultura, lazer. Refiro-me a dignidade, coisa que o néscio canastrão, encastelado no ministério da Fazenda e deslumbrado pelos encantos de Wall Strit, demonstra ignorar o sentido. Alguém precisa lembrar ao asno de língua plesa que as estradas do país estão matando pessoas e tornando impossível falar em competitividade econômica internacional. Não temos portos, nem aeropostos, sequer contêiner's para exportar nossas mercadorias. Alguém precisa informar ao idiota - na ascepção psiquiátrica do termo - que os juros defendidos por ele estão axfixiando o setor produtivo e espoliando, como os agiotas fazem, os cidadãos brasileiros. E algum economista, qualquer um, tem o dever cívico de alertar ao ignorante que juros altos significam redução drástica de investimentos e que o governo, segundo ele próprio insiste em repetir, não tem dinheiro para esses investimentos.
Por último, alguém precisa meter na cabeça de bagre do fanfarrão que não podemos esperar o cumprimento de suas promessas de "crescimento a longo prazo", algo entre quinze e 20 anos, para que então sejam feitos os investimentos em infra-estrutura básica (estradas, portos, aeroportos, teleconomicações, energia elétrica, água potável, tratamento de esgotos...) e, claro, na geração de emprego e elevação da renda dos brasileiros. É preciso fazer isso agora, imediatamente.
O pior é que o presidente Lula é outro que parece uma Cinderela no esplendor de seu conto de fadas, enquanto os brasileiros agonizam.
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 22h16
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |

 |
| |
Jungle Man VII - Parauapebas: o destino.
Perambulei pela rodoviária de Marabá enquanto esperava a hora prevista para a partida do micro ûnibus que fazia uma linha regular até Parauapebas. Depois de telefonar pro meu contato na empresa e combinar onde deveria desembarcar, tomei alguns cafés e cedi aos apelos de um engraxate que se propunha limpar meus sapatos. O tal garoto era o maior figura do pedaço e chegou a me dar a impressão de que talvez estivesse drogado ou então gozando minha cara. Passou a escova aqui e acolá sem tirar minimamente a poeira abundante. Fazia o serviço assim-assim, enquanto me olhava fixamente. Parecia noutra órtita. Não conseguiria me comunicar com ele, dei-lhe um trocado e caminhei em direção a meu "transporte".
Cabiam quatorze pessoas no micro ônibus mas seguimos viagem com apenas 8 passageiros. Eu, um sujeito transtornado por muitos tiques e outros trejeitos, um casal acompanhado de 2 crianças e outras duas pessoas que desembarcaram alguns quilômetros depois, num dos muitos acampamentos do MST existentes naquela estrada. As crianças sentaram-se no banco atrás do meu e conversavam animadamente sobre os acontecimentos do dia. Descobri depois de iniciar uma conversa qualquer que moravam numa fazenda onde os pais, sentados na frente, eram colonos. O menino tinha mais ou menos uns 10 anose se chamava Danilo; a menina era um pouco menor e seu nome era Jôse. Eram criaturas cativantes. Conversamos sobre muitas coisas, pediram para ver e pegar minha máquina fotográfica e ficaram incrédulos quanto lhes tirei um retrato. Jamais haviam sido fotografados. Quando o micro ônibus parou na entrada da fazenda e eles se preparavam para descer, prometi colocar a tal foto no meu Blog. Eles não entenderam direito o significado do que eu lhes dizia mas demonstraram ter ficado felizes - talvez pelo "Trident" que lhes presenteei. O restante do caminho foi de silêncio, ou quase isso. O motorista não dizia uma palavra e o outro sujeito fazia tiques numa série determinada e em espaços regulares de tempo: Tossia, escarrava e disparava pequenos jatos de ar entre os dentes, produzindo um ruído desconcertante. Era impossível ficar indiferente àquela série irritante de trejeitos. Aquilo dava nos nervos mas me fazia rir calado. Passava das sete da noite quanto finalmente desembarquei, depois de mais de 30 horas de viagem.
Parauapebas, cidade de aproximadamente 120 mil habitantes aos pés da Serra de Carajás, é um lugar improvável. O município tem apenas 16 anos de existência e vive em função da Cia Vale do Rio Doce, que explora, entre outras coisas, minério de ferro e ouro naquele lugar. A cidade, aliás, formou-se em conseqüência disso. Agitadíssima, gente por todo lado, muitas bicicletas, moto-taxis, milhares de veículos de transporte alternativo e muitas, mas muitas camionetes importadas... e muita pobreza. É, enfim, a contradição em estado latente.
Como antes, não havia ninguém me esperando no lugar combinado. Imaginei que poderia ficar um bom tempo esperando alguém aparecer, e como estava exausto pela viagem e castigado pelo calor intenso, sentei-me despreocupado num bar e pedi uma cerveja. A garçonete que me atendeu era incrivelmente simpática e deu todas as provas de que estava disposta a esticar um papo mais intimista depois do trabalho. Era uma criatura bem diferente de todas as que já havia conhecido até então e fiquei empolgado pela, digamos, calorosa maneira como me deu "boas-vindas". Achei que minha sorte poderia mudar bastante naquela noite.
Fiquei sentado por quase trinta minutos até que um carro estacionou na minha frente e uma mulher desceu pedindo desculpas pelo atraso. Falava sem parar com aquele sotaque carregado nos "h": amanHã; minHa; manHã... Me deixou no hotel e disse que me apanharia no dia seguinte por volta das 8 da manhã. Duvidei, claro, baseado nas experiências anteriores, e por isso pedi à telefonista do hotel que me acordasse às 9 - eu estava simplesmente exausto.
Escrito por Sóstenes Antônio de Arruda às 22h57
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |


|